Nem tudo o que luz é ouro

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A aldeia da Boa Fé

FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DA BOA FÉ

A PAISAGEM E O MEIO NATURAL

Trata-se de uma freguesia rural do concelho de Évora que ocupa uma área da ordem dos 33 km2. Situa-se numa zona de grande beleza natural, enquadrada numa paisagem que pouco tem a ver com a chamada peneplanície alentejana. É muito arborizada e de relevo mais acentuado devido à proximidade da serra de Monfurado onde parcialmente se insere.

Estas condições naturais propiciam a existência de um microclima diferenciado do restante Alentejo, com chuvas mais abundantes como o comprovam os dados do posto udométrico do Escoural.

A combinação destes factores, associados à geologia e à natureza dos solos e a alguma riqueza de águas subterrâneas que brotam de nascentes junto aos ribeiros, propiciam a existência de uma flora muito rica, com extensas áreas de montado de sobro intercaladas com manchas de azinheiras e oliveiras.

Se nos colocarmos num ponto alto da freguesia, por exemplo junto ao marco geodésico da Serra do Conde, a sudoeste da quinta do Escrivão, temos uma vista panorâmica dos terrenos que a constituem e da densidade e continuidade do coberto arbóreo. Daqui quase não se vêem casas, mas sim a natureza praticamente intacta e em todo o seu esplendor.

Fisiograficamente, a área da freguesia de Nossa Senhora da Boa Fé e também a de São Sebastião da Giesteira assemelham-se a uma enorme concha: uma depressão aplanada, com algum relevo no seu interior, mas de pouca expressão, marginada em todo o seu perímetro exterior por uma linha de alturas com poucas quebras de continuidade.

Essa forma de relevo deu origem a uma rede de drenagem relativamente densa, que tem como eixo principal a ribeira de São Brissos, mas que neste primeiro troço se chama ribeira da Boa Fé. A ela afluem numerosos ribeiros, mais numerosos na margem direita, um dos quais é o ribeiro da Giesteira que será interceptado pela corta das Casas Novas (oxalá que não).

A ribeira e os ribeiros seus afluentes, a maioria deles com nascentes naturais permanentes, possuem galerias ripícolas muito ricas e densas, constituídas por freixos, salgueiros, amieiros e outras espécies arbóreas e arbustivas que compartimentam as manchas do sobrado e lhes dão um matizado de cores.

Pelas razões apresentadas e por a freguesia se situar nas cabeceiras da bacia hidrográfica do rio Sado, os focos de poluição são aqui relativamente reduzidos. devido à baixa densidade populacional da freguesia e à inexistência de indústrias poluentes.
Duas pequenas ETAR servem os aglomerados das Casas Novas e do Monte Novo.

OS HABITANTES

Segundo o último censo populacional, a Boa Fé tem uma população de cerca de 320 habitantes, portanto com uma densidade da ordem dos 10 hab/km2, factor que também tem contribuído para a preservação da paisagem e do meio ambiente.

No início do século passado, chegaram a ser mais de 1000 habitantes em povoamento disperso por numerosos montes e sem aglomerados significativos.

A freguesia é muito antiga, mas com a implantação da República foi extinta e integrada na da Graça do Divor. Porém. em 1926, voltou a adquirir o estatuto de freguesia.
Até ao início da segunda metade do século XX, não possuía estradas, nem energia eléctrica e abastecimento de água.
Quase toda a população activa vivia da agricultura, então pouco mecanizada e grande consumidora de mão-de-obra.

Eram tempos muito difíceis, de trabalho muito duro, quase escravatura, com horário de sol a sol na tiragem da cortiça, poda e arranque de sobreiros e azinheiras, fabrico de carvão vegetal, ceifa, apanha da azeitona, etc.

Nos anos 60, houve grande emigração para França. Mais tarde, com a Reforma Agrária, deu-se uma forte hemorragia populacional, com migração para os grandes centros populacionais.

Presentemente a população activa deve ser pouco superior a 150 pessoas. A taxa de desemprego é relativamente baixa, embora com picos devido à natureza sazonal de alguns trabalhos, como a tiragem da cortiça.

Existe um núcleo de habitantes, poucas dezenas, que ainda se dedicam aos trabalhos agrícolas referidos, mas agora um pouco menos penosos.
Alguns trabalham em Évora, a pouco mais de 20 km, no comércio e nos serviços e um número significativo de senhoras está empregado no Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Boa Fé, no Lar de Idosos.

O Lar é a obra mais notável da freguesia, que acolhe e trata em ambiente familiar muitos idosos e que também presta assistência domiciliária aos que necessitam. Uma palavra de agradecimento ao Sr. Padre Salvador Santos.

ALGUM PATRIMÓNIO

A IGREJA

A Igreja de Nossa Senhora da Boa Fé é uma das mais bonitas que existem nas freguesias rurais do concelho de Évora, sendo o ex-libris da freguesia e local de culto e de visita para quem se desloca a esta terra.
A Igreja deve ter sido erguida em princípios do século XVI, tendo sido sujeita a diversas alterações nos séculos seguintes, até adquirir a configuração actual.
Em 1986, foi classificada como Imóvel de Interesse Público, pelo Ministério da Cultura.
Possui um lindíssimo portal manuelino e o seu interior é forrado a azulejos do século XVIII.

A PONTE DO LAGAR E O AÇUDE DO CALDEIRA

Esta ponte situa-se na ribeira da Boa Fé (São Brissos) umas centenas de metros a montante do local onde querem abrir a corta das Casas Novas. Fazia parte do antigo eixo viário que ligava Évora a Alcácer do Sal.
A ponte data do século XVIII e encontra-se em vias de classificação pelo IGESPAR.
Junto à ponte, existem ruínas de um antigo lagar de azeite ou moagem que ainda deve ter laborado na primeira metade do século passado. A montante do lagar, existem restos dum açude e dum canal de derivação, por onde se encaminhavam os caudais para accionar as mós.
Cerca de 300 m a jusante da ponte do lagar, na mesma ribeira, existem ruínas de um outro açude (o do Caldeira), dum canal e de habitações onde também laborava uma azenha.

Francisco Bisca

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1 Comentário

  1. Teresa Vasconcelos e Sá diz:

    O Blog está lindo. O layout é claro, bem desenhado e estruturado, e simples, que é o que o torna mais atractivo. Lê-se tudo com toda a facilidade. Agora vou ver se vejo o video da RTP2.
    Parabéns. Viva a Boa Fé, que com ela se há-de vencer o vil metal.
    Não desistam!
    Teresa

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