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Assembleia Municipal de Évora rejeita projeto mineiro da Boa-Fé por unanimidade

A Assembleia Municipal de Évora rejeitou por unanimidade o projeto mineiro previsto para a Boa-fé, decidindo assim não classificá-lo como projeto de interesse municipal. A Assembleia, que não escondeu as suas dúvidas relativamente à declaração de impacte ambiental (DIA),  justificou esta decisão com o facto de os “benefícios decorrentes da exploração mineira serem limitados no tempo, enquanto as perdas para o território serem ilimitadas ou permanentes.”  Em suma, considerou que os benefícios estimados pela empresa promotora não justificavam as incalculáveis perdas ambientais, mas também económicas (com a destruição de forma permanente de postos de trabalho ligados à agricultura, à silvo-pastorícia e a outras actividades ligadas aos recursos naturais).

“Considerando este enquadramento, considerando os riscos e a incerteza conhecida, considerando o previsível desequilíbrio entre os custos globais e benefícios globais da implementação desse projeto, a que acresce a localização em área ambientalmente sensível e com elevados valores a preservar, não estão reunidas as condições para o Município atribuir Declaração de Interesse Municipal, em tempo requerida pela empresa promotora”, considerou a Assembleia que representa democraticamente todos os munícipes do concelho de Évora.

Assim sendo, a promessa várias vezes feita publicamente pelo representante da empresa (eng. Valente) de que a mina jamais avançaria contra a vontade popular deverá ter consequências imediatas: a empresa deverá abandonar a Boa Fé!

P.D.

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Pagar para… vender uma instalação mineira?

Parece o mundo às avessas, não é? Mas é assim mesmo: ficar com as instalações mineiras, só se a companhia pagar!
Rio Tinto, companhia australiana dedicada à indústria mineira, vai ceder a sua fábrica de alumínio de St. Jean de Maurienne (departamento da Saboia, nos Alpes, França), a um consórcio franco-alemão, com participação do Estado francês (5%). Rio Tinto declarou a sua intenção de encerrar esta fábrica há mais dum ano, deixando no desemprego 510 trabalhadores directos e cerca de 2000 outros indirectos (subcontratantes). Ao contrário do que acontece geralmente, neste caso é o vendedor que tem que pagar ao comprador. Rio Tinto vai pagar ao novo consórcio cerca de 100 milhões de euros, soma que corresponde aos custos de despoluição do sítio, que Rio Tinto teria que suportar se quisesse mesmo encerrar. Temos aqui uma ordem de ideias dos custos de reparação da poluição resultante da indústria mineira: contam-se sempre em milhões (e quase sempre em centenas de milhões) de euros.
Mas podemos tomar nota duma informação importante: a mina e as suas instalações valem ZERO euros; e o Estado francês considera que já é “bom” conseguir obter… o pagamento dos custos de reparação ecológica do sítio… Amargo negócio para a colectividade! JRdS
Ver mais pormenores aqui.000163506_5-rio-tinto