Nem tudo o que luz é ouro

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Boa Fé, terra com gente e com história

Como a minha professora da escola primária viu a aldeia da Boa Fé quando, em 1953, veio aqui exercer o seu magistério

Francisco Bisca

 Boa  Fé  – 1ª terra onde exerci o meu magistério

 A chegada! 1ª impressão….

 Tanta árvore! Terrenos longos, extensos e vastos.

Que região tão rica! Eis as primeiras ideias que me perpassaram pela mente ao avistar a aldeia que me era destinada ao acabar o curso.

 A mão de Deus ao pintar esta povoação decerto aperfeiçoou-se mais que em qualquer outra do meu querido Alentejo. Enquanto que as outras, de um modo geral, se encontram em terrenos quase planos e com as moradias muito juntas esta contradiz, em absoluto, o tipo puramente alentejano.

Dá-nos a sensação de uma povoação nortenha.

O terreno muito acidentado, salpicado de arvores, bastante juntas, de um verde-escuro, contrastando, de onde em onde, com o verde vivo das suas hortas e pomares, alimentados por regatos.

Um panorama sumptuoso. Para mais realce escondem-se nos arvoredos os grandes montes com povoações pequenas, muito branquinhas que por entre a ramaria dão-nos, ao longe, a impressão de lençóis alvejantes que se abrigam do rigoroso frio da Inverno e do escaldante sol do Verão.

O terreno, embora muito acidentado, oferece-nos com muita precisão a linha do horizonte, deixando-nos a ilusão de que os cabeços abraçam o céu com uma eterna candura.

A Igreja e a Escola ficam lado a lado para lembrar que ambos são a luz, o caminho a Verdade e a Vida. Uma abre a porta ao espírito a outra ao intelecto.

Algumas habitações se juntam a estas e na parte mais elevada, num grande monte, encontra-se o centro da aldeia.

Tudo neste lugar é belo. O contraste do azul límpido do céu e os verdes das grandes e velhas azinheiras salpicadas de branco.

A natureza parece ter-se engalanado para acolher gente tão humilde e tão boa.

Adelaide Nunes Lopes Pardal

Previsões internacionais para os preços do ouro

Não há dúvidas de que a mina da Boa Fé está directamente dependente dos preços do ouro nas Bolsas mundiais. Remeto aqui para um texto do professor de Economia norte-americano Nouriel Roubini:

http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/economistas/nouriel_roubini/detalhe/depois_da_corrida_ao_ouro.html

Para quem não tenha gosto, tempo ou vontade de ler o extenso artigo, ficam os dois últimos parágrafos:

“Assim, o ouro continua a ser a ‘relíquia bárbara’ de John Maynard Keynes, sem valor intrínseco, e que é usado sobretudo como cobertura contra o medo e pânico mais irracional. Sim, todos os investidores deveriam ter uma modesta quota-parte de ouro nas suas carteiras de investimento como protecção contra riscos de cauda extremos. Mas outros activos reais podem providenciar essa protecção, além de que esses riscos de cauda – apesar de não terem sido eliminados – são actualmente mais baixos do que no auge da crise financeira mundial.
Apesar de os preços do ouro poderem subir temporariamente nos próximos anos, continuarão a estar bastante voláteis e a tendência é para que desçam com o decorrer do tempo, à medida que a economia global vá melhorando. A corrida ao ouro terminou.” –  Jornal de Negócios, 5/9/2013

Parafraseando a minha avó, Deus o oiça, já que os homens se fazem moucos!

Ana

 Onda nacional de indignação

À medida que aumenta a informação sobre a terrível bomba ecológica (que é também uma bomba social) que seria deixada em Monfurado com a abertura da mina da Boa Fé, vai-se avolumando, nas chamadas ‘redes sociais’, a bola de neve de indignação. Não apenas nas caixas de comentários deste blogue, como também noutros blogues, multiplicam-se a indignação e a incredulidade perante a possibilidade do projecto mineiro avançar, apesar dos inacreditáveis impactes (cuidadosamente mantidos no segredo pela empresa promotora do projecto e pela tutela) daí decorrentes.
Vários cidadãos de todo o país (deve sublinhar-se) têm revelado, nos seus comentários, que esta é uma causa nacional – e, sendo o montado candidato a património da Humanidade, esta deveria ser também uma causa mundial; na verdade, a ecologia não conhece fronteiras – a ganância, infelizmente, tão pouco.
Deixo-vos com excertos de alguns comentários que circulam por aí, neste e noutros blogues, com o propósito de despertar a consciência de cada vez mais cidadãos que se interessam pelo mundo que, activa ou passivamente, estamos a construir e iremos deixar aos nossos filhos:
É urgente travar esses crimes ambientais.
Helena Rodrigues
 .
Este projecto de abate dos sobreiros, em troca de uma paisagem desolada e da exploração de recursos de proveitos muito duvidosos e certamente a caminho de bolsos que não os dos portugueses, é um susto, um pesadelo…
Graça Horta
 .
Do nosso lado está a razão, a vontade de resistir e alguma capacidade para demonstrar a evidência desta barbaridade.
José Eliseu Pinto
 .
Viva a Boa Fé, que com ela se há-de vencer o vil metal. Não desistam!
Teresa Vasconcelos e Sá
 .

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