Nem tudo o que luz é ouro

Início » Diversos

Category Archives: Diversos

Um futuro chamado ouro

Como é que nos foi apresentado o furor mineiro de solução para a economia nacional? “O sector mineiro é um dos motores da retoma da economia. Irá criar postos de trabalho e aumentar a carga fiscal para o Estado” – Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, em Novembro de 2011.

É o que se chama azar: um motor tão bom, tão novo, em que o Estado só tinha de entregar a terceiros a riqueza do subsolo e recolher migalhas pela sua ideia de génio… e o ouro entra em queda logo no ano a seguir. Podia ter sido dentro de três, quatro, seis anos – porque todos sabem que ela acontece ciclicamente. Mas não. Ainda a concessão plena não tinha sido dada a uma sólida empresa canadiana sem capital nem experiência de exploração, representada por uma fachada nacional de 5.000 euros, e já o sector mineiro de exploração do ouro está a encolher a olhos vistos!

E qual é o futuro que se perfila para este sector? Nick Holland, director executivo da Gold Fields da África do Sul, a 8ª maior empresa de mineração de ouro do mundo, não hesita: congelar ou cancelar projectos novos pode ser uma boa solução para a actividade de mineração do ouro a longo prazo. “Vamos aumentar a disciplina de fornecimento na actividade do ouro ao longo do tempo“, porque “uma grande fatia de produção marginal não devia realmente ter sido lançada ou construída” durante o boom dos preços do ouro da última década.

É triste que sejam razões de mercado a poder salvar a Serra de Monfurado – que não está garantida, apenas adiada! Mas aos grandes executivos do sector, o governo dará certamente ouvidos. Afinal, eles não são como esses malucos que andam para aí a dizer que a exploração do ouro é meramente especulativa. Uops, os grandes executivos também o dizem! Só que isso lhes parece excelente… em momento de alta de preços.

As serras é que ficam perpetuamente lesadas – independentemente dos lucros ou “congelamentos” de uns quantos. E as pessoas perdem os empregos na hora, a saúde e os meios de subsistência para o resto da vida.

acp
Ver o artigo lido no Bullion Vault (site para investidores em ouro), de 17/Jul/2013
original: http://goldnews.bullionvault.com/gold-mining-071720135 
tradução abaixo

LER MAIS

Anúncios

Parabéns para nós!

Não resisti: estava mesmo a apetecer-me dar-nos os parabéns a todos por este mês de blogue, aos que o mantêm e aos que o lêem. Parece que já começámos esta luta há muito e, afinal, ainda foi há bem pouquinho. E o que já aprendemos!

Em jeito de comemoração, Rodrigues dos Santos desmistifica mais uns raciocínios falaciosos da Colt e temos a partir de agora um texto bastante completo, da autoria de Francisco Bisca, a “mostrar” ao mundo internético a freguesia da Boa Fé, vista por quem lá nasceu, cresceu e continua a viver sempre que pode. Está no separador O lugar/Aldeia da Boa Fé.

Continuemos a jornada a este ritmo, e vamos longe!

acp

Associação ‘Árvores de Portugal’ associa-se à denúncia dos impactes do projecto mineiro

Mais uma associação que se junta à denúncia de um dos maiores escândalos ecológicos em curso no nosso país, cujas proporções são para nós ainda difíceis de estimar. Leia no excelente blogue da ‘Árvores de Portugal’ o artigo que hoje publicam: Plano Para Abater Milhares de Sobreiros e Azinheiras Adultos na Serra de Monfurado

Grandes números – 2

Das decapagens dos terrenos (…) estima-se que resultem cerca de 240.000 m3 de terras vegetais, as quais deverão ser devidamente armazenadas (…)
As pargas terão como dimensões mínimas 3 m de largura e 1,50 m de altura, protegidas por um coberto a uma altura destas de 2 m.

Relatório Síntese, vol. II do Estudo de Impacte Ambiental

Toda a conversa destes procedimentos de armazenamento de solos orgânicos em pargas é standard em vários Estudos submetidos à APA e publicados no site. O Estudo da Boa Fé introduz uma “inovação”, que é considerar as dimensões apontadas “mínimas”. Ora, há razões científicas para serem estas e não outras muito diferentes. Tem a ver com a não compactação e tratamento dessas terras, que têm de ser arejadas, remexidas em profundidade e não podem ser apertadas.
Portanto, as pargas assim definidas são “corredores” de solo orgânico, da largura da parede de um quarto normal e à altura dos olhos de um português mediano.
Estamos, então, a falar de uma área coberta de… 16 hectares?! O espaço do Jardim Zoológico de Lisboa?!! Integralmente coberto??? E é uma área tão irrisória, que nem está prevista no projecto!
Quanto mais leio, mais me fica a convicção de que estes Estudos de Impacte Ambiental são tratados como meros pro forma. Passam por dezenas de mãos de técnicos que os folheiam sem questionarem o que lá vai dentro. É muita pena: está em causa a vida de cidadãos, a sobrevivência de um ambiente internacionalmente considerado vital para a biodiversidade do país e da Europa, a saúde de muita gente e um fundo e duradouro buraco económico para o Estado e as autarquias!
ACP

Grandes números – 1

Não hei-de ser a única para quem os números, fora de grandezas do quotidiano, deixam de fazer sentido. Ou pelo menos, todo o sentido. Resolvi, então, pegar nesses números absurdamente grandes para o meu dia-a-dia, e mostrar como são espantosos, em comparação com realidades bem conhecidas, regionais ou nacionais.
Começo pela escombreira: 37 hectares. À escala de Évora, é mais de um terço do Centro Histórico.
Com 50 metros de altura: um prédio de 16 andares; mais de duas vezes a altura da nave da Sé de Évora; ou o edifício onde está o Centro Comercial Colombo, em Lisboa, com 2085 m2 por piso (na foto).
colombo
Um volume como o de 177 blocos como este! Constituídos por fragmentos de rocha de diversos tamanhos, com 26% de espaços intersticiais, por onde as águas ácidas da lavagem dos pedaços de rocha se vão infiltrando no solo e nas linhas de água. Por tempos imemoriais, dizem os estudiosos.
Dá para imaginar?

ACP