Nem tudo o que luz é ouro

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3. E vem-nos à memória uma frase batida

O país está a braços com 175 minas abandonadas.

Ou seja, com trabalhos suspensos pela empresa exploradora antes de cumprida a fase de encerramento! A DGEG é recente, não tem esta memória… Espera! Não pode, está num estudo da própria DGEG, de 2011: “A herança das minas abandonadas” http://www.edm.pt/html/livro.html#/Separador/

Um livro fundamental, online, à borla, para quem procura perceber o que se joga na exploração mineira em Portugal. Fala de tudo no passado. Mas como dizia o filósofo, “agora já é passado”.

Também se percebe que mais uma desgraça foi transformada em negócio: o quadro comunitário 2012-20 é apontado como uma forte possibilidade de trazer dinheiro para o país, a encerrar minas abandonadas. Nada que o responsável da Aurmont não tivesse afirmado em reunião pública: “O Estado português não gasta um tostão com o encerramento das minas!”, avançou, exaltado com as críticas aos encerramentos que ficaram por fazer no país.

Despeço-me com uma frase retirada do livro: “O que aconteceu no passado reflectiu uma época diferente com valores e conhecimentos de outros tempos. Todos nós devemos actualmente congratular-nos pelo facto de as organizações e os governos que contribuem para a limpeza desses locais e para a resolução de alguns dos impactes económicos e sociais não serem os mesmos que causaram os estragos. Isto não é um acto de contrição da sociedade, nem um assunto do passado. É um investimento e uma declaração de optimismo.” O optimista que assim iliba de responsabilidades quem causou os estragos é apresentado desta maneira sui generis: “Como disse um presidente de câmara canadiano para assinalar uma cerimónia comemorativa do final de um grande trabalho de reabilitação de uma mina abandonada nesse país.”

Comovente. Facilitemos, pois, a vida aos que causam estragos, porque haverá sempre organizações e governos a contribuírem para pagar pelo que eles deixaram, impunemente. “Um presidente de câmara de” onde? Coincidências…

Amanhã veremos as boas razões “de um presidente de câmara canadiano” para viver em profundo êxtase e adoração da actividade mineira sem responsabilidade.

Ana

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