Nem tudo o que luz é ouro

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Monthly Archives: Setembro 2013

A água, o nosso recurso mais precioso

Um passeio pela Serra de Monfurado, por qualquer uma das paisagens que envolvem a aldeia de Nossa Sra. da Boa Fé, revela a presença constante da água. Esta maravilhosa presença, que distingue a Boa Fé de tantas e tantas aldeias alentejanas, é visível através de abundantes manifestações naturais – como ribeiros e nascentes – e culturais – como poços, pontes e aquedutos. Apesar de tão forte presença do bem mais valioso para a vida, a empresa promotora do projecto mineiro não elaborou nenhum estudo minimamente aprofundado sobre o impacto que a exploração teria sobre os lençóis freáticos!

Para esta gente, primeiro, está o seu negócio; e só depois vem a nossa vida. Sabemos que, em capitalismo, essa é a ordem natural das coisas, a única ordem, aliás. Esperemos que para o poder autárquico recém eleito, que se diz contrário aos métodos do capitalismo mais selvagem, a água seja mais valiosa do que o ouro. Não disseram em campanha que “a água tem uma característica única: é um bem natural indispensável à vida humana” e que “Há que continuar o trabalho e a luta pelo reconhecimento e institucionalização da água como bem social, património de todos e direito humano!” (Carlos Pinto de Sá)? Disseram, e disseram muito bem.

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Para ver a reportagem fotográfica completa das mais diversas manifestações da presença da água na Boa Fé, feita este verão pelo morador na mesma aldeia Imme van den Berg, por favor, clique aqui.

Pedro Duarte

Aljustrel, o concelho nacional onde mais se morre por cancro do pulmão e dos brônquios

Achei que a população dos concelhos de Évora e Montemor devia saber que as poeiras que diariamente sobrevoam a bonita vila mineira de Aljustrel (com as suas finas partículas de cobre, sílica, chumbo e mercúrio) não são inócuas, mas responsáveis por um flagelo de saúde pública.

Mais info aqui, aqui e aqui.

P.D.

Jornal Mapa noticia protestos contra a mina da Boa Fé

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O artigo, da autoria de Filipe Nunes, é intitulado ‘Nem tudo o que brilha é ouro’ e poderá ser lido aqui (clicando primeiro sobre o mesmo, aqui abaixo, e depois ampliando):

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P.D.

Cianeto, expropriações e destruição de montanhas suscitam onda de revolta em toda a Roménia

“Não ao cianeto”: o projecto da maior mina a céu aberto da Europa contestado – leia aqui o artigo de hoje, no Le Monde, sobre a contestação que está a levantar na Roménia o projecto de uma mina de ouro, empreendido por uma filial da empresa canadiana Gabriel Resources (recordemos a velha, mas eficaz, astúcia das empresas de extracção de recursos geológicos canadianas: abrir, no país onde se situa a mina, uma filial com capital social irrisório, para facilmente se abrir falência assim que o projecto se torne pouco interessante). Enfim, uma história semelhante à da Boa Fé – lucros astronómicos para as empresas canadianas, prejuízos incalculáveis para o território e a saúde dos locais; e umas migalhas distribuídas por uns quantos postos de trabalho precários, vendidos à população como a saída dourada para a crise.
P.D.
Huitième jour de manifestation contre un projet de mine d'or géante en Transylvanie, à Bucarest, le 8 septembre.

Ler o artigo do Le Monde

Previsões internacionais para os preços do ouro

Não há dúvidas de que a mina da Boa Fé está directamente dependente dos preços do ouro nas Bolsas mundiais. Remeto aqui para um texto do professor de Economia norte-americano Nouriel Roubini:

http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/economistas/nouriel_roubini/detalhe/depois_da_corrida_ao_ouro.html

Para quem não tenha gosto, tempo ou vontade de ler o extenso artigo, ficam os dois últimos parágrafos:

“Assim, o ouro continua a ser a ‘relíquia bárbara’ de John Maynard Keynes, sem valor intrínseco, e que é usado sobretudo como cobertura contra o medo e pânico mais irracional. Sim, todos os investidores deveriam ter uma modesta quota-parte de ouro nas suas carteiras de investimento como protecção contra riscos de cauda extremos. Mas outros activos reais podem providenciar essa protecção, além de que esses riscos de cauda – apesar de não terem sido eliminados – são actualmente mais baixos do que no auge da crise financeira mundial.
Apesar de os preços do ouro poderem subir temporariamente nos próximos anos, continuarão a estar bastante voláteis e a tendência é para que desçam com o decorrer do tempo, à medida que a economia global vá melhorando. A corrida ao ouro terminou.” –  Jornal de Negócios, 5/9/2013

Parafraseando a minha avó, Deus o oiça, já que os homens se fazem moucos!

Ana